MARGS integra “O Feminino e a Arte” do SESC com exposição virtual sobre artistas mulheres

Parceria resulta na versão digital da mostra coletiva “Gostem ou não — Artistas mulheres no acervo do MARGS”, que será apresentada entre setembro e novembro no site do SESC

Evento gratuito

Artes Visuais

27 de setembro de 2020 a 27 de novembro de 2020

Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) participa da série de eventos O Feminino e a Arte, que o SESC/RS promove desde 24.09.2020 com a proposta de valorizar a produção artística das mulheres.

A parceria entre as instituições resulta na versão virtual da exposição “Gostem ou não – Artistas mulheres no acervo do MARGS”, que será apresentada até 27.11.2020 no endereço www.sesc-rs.com.br/exposicaogostemounao, com recurso de acessibilidade de audiodescrição.

Inaugurada em dezembro de 2019, a mostra coletiva com curadoria do grupo de pesquisa Mulheres nos Acervos teve seu período expositivo interrompido antes de seu término, em razão do fechamento do MARGS em enfrentamento à Covid-19. Está previsto que retorne com a reabertura do Museu, que está sendo no momento preparada ainda sem data confirmada.

Mulheres nos Acervos é uma pesquisa colaborativa em história da arte de Cristina Barros, Marina Roncatto, Mel Ferrari e Nina Sanmartin que investiga a produção artística de mulheres nas coleções públicas de arte de Porto Alegre. Em 2019, o projeto promoveu ações para divulgar seus resultados quantitativos e qualitativos, com exposições, programas educativos e falas públicas em três das cinco instituições estudadas: Pinacoteca Aldo Locatelli, Pinacoteca Ruben Berta e MARGS. Recentemente, o projeto foi agraciado no 13º Prêmio Açorianos de Artes Plásticas na categoria Destaque em Acervos.

“Gostem ou não – Artistas mulheres no acervo do MARGS” apresenta um conjunto de 18 obras, acompanhadas de textos sobre as artistas e sua produção, segundo a perspectiva da curadoria, que é a de investigar no Acervo Artístico do MARGS artistas mulheres que consolidaram suas carreiras através de instâncias de legitimação ou autolegitimação.

A exposição também apresenta o levantamento realizado pelo projeto de pesquisa Mulheres nos Acervos, difundindo publicamente os dados obtidos sobre o Acervo Artístico do Museu, que tratam de presença e representatividade de gênero segundo recortes como quantidade de artistas, de obras e relação de geração e técnica-linguagem.

Nas palavras do diretor-curador do MARGS, Francisco Dalcol:

“O MARGS tem investido em uma política de exposições que procura estar a par de discussões e problemáticas prementes a serem enfrentadas pelas instituições museológicas e artísticas, sobretudo por aquelas que se orientam pela busca de relevância e atualidade. Nesse compromisso, está a reivindicação histórica e reparatória por uma maior visibilidade, representatividade e legitimação das artistas mulheres. Trata-se de um empenho que ganhou evidência no MARGS neste primeiro ano da atual gestão, resultando em um conjunto de exposições monográficas de artistas mulheres apresentadas em 2019. E essa parceria agora com o Sesc, que resulta em uma versão digital para a exposição, vem a contribuir para tudo isso, na medida em que permite ampliar nossa difusão e alcançar novos e outros públicos.

 

As artistas

Alice Brueggemann
Angelina Agostini
Anico Herskovits
Carla Borba
Caterina Baratelli
Christina Balbão
Elaine Tedesco
Élle De Bernardini
Maria Lídia Magliani
Marina Camargo
Regina Silveira
Rosa Bonheur
Téti Waldraff

 

Sobre a exposição

Com o objetivo de trazer a público uma exposição sobre artistas mulheres no acervo do MARGS, as autoras do projeto Mulheres nos Acervos — que pesquisam a produção artística feminina nas coleções públicas de arte de Porto Alegre — foram convidadas a desenvolver uma proposição curatorial-expositiva para o museu. Integram o grupo Cristina Barros, Marina Roncatto, Mel Ferrari e Nina Sanmartin, que em comum são alunas ou egressas do curso de graduação em História da Arte do Instituto de Artes da UFRGS.

Em interlocução com a Direção, as pesquisadoras organizaram uma mostra a partir de suas investigações e reflexões. Intitulada “Gostem ou não — artistas mulheres no acervo do MARGS”, a coletiva apresenta, em formato expositivo, uma investigação recente sobre a presença e a representatividade das artistas mulheres no acervo do MARGS, ao mesmo tempo integrando o contexto mais amplo do projeto de pesquisa, que tem resultado em mostras também organizadas pelas pesquisadoras nas outras instituições cujos acervos são também objeto do estudo.

O título da mostra no MARGS é baseado em uma afirmação feita pela pintora Alice Brueggemann (1917-2001) ao jornal Correio do Povo em 1964: “Se gostam ou não do que faço não me interessa”. Nesta ocasião, Brueggemann já era uma artista de trajetória consolidada, mas mesmo assim era frequentemente indagada sobre as escolhas de sua pesquisa artística.

A partir da análise feita sobre o acervo do MARGS, o grupo de pesquisadoras apresenta em sua curadoria artistas e obras, de valor artístico e histórico, que consolidaram suas carreiras através de instâncias de legitimação ou autolegitimação em diferentes períodos da história da arte.

Além do levantamento de dados efetuado pela pesquisa, “Gostem ou não” traz a público obras do acervo artístico do MARGS nunca expostas, como “Projectio I” (1984), de Regina Silveira, e “Atlas do céu azul” (2008), de Marina Camargo, e também aquisições recentes de artistas como Christina Balbão, Alice Brueggemann e Maria Lídia Magliani.

Além disso, o Núcleo Educativo e o Núcleo de Documentação e Pesquisa tornam-se grandes colaboradores no processo de pesquisa da mostra, na medida em que as discussões levantadas pelo projeto já vêm sendo trabalhadas e discutidas dentro do museu por esses setores.

Mulheres nos Acervos é uma pesquisa colaborativa proposta pelas pesquisadoras de história da arte Cristina Barros, Marina Roncatto, Mel Ferrari e Nina Sanmartin, que consiste na coleta e análise de dados sobre a presença de trabalhos artísticos de autoria feminina nas coleções públicas de arte da cidade de Porto Alegre. Em 2019, o projeto já apresentou os resultados da pesquisa e exposições na Pinacoteca Aldo Locatelli e na Pinacoteca Ruben Berta, ambas pertencentes à Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

 

“Gostem ou não — Artistas mulheres no acervo do MARGS”

 

Texto curatorial

“Se gostam ou não do que faço, não me interessa”, afirmou Alice Brueggemann (1917-2001), em 1964, em entrevista ao jornal Correio do Povo. Nessa ocasião, a pintora já havia consolidado sua trajetória, mas, mesmo assim, era frequentemente indagada sobre as escolhas de sua pesquisa artística. Brueggemann foi uma das primeiras mulheres a se afirmar como “artista plástica profissional” no Rio Grande do Sul, mantendo por mais de 40 anos um ateliê conjunto com Alice Soares (1917-2005). Foi investigando processos de legitimação ou autolegitimação como esse que estabelecemos o eixo central da pesquisa curatorial de “Gostem ou não – Artistas mulheres no acervo do MARGS”.

A partir dos acervos da instituição, chegamos a um conjunto de artistas e obras, de valor artístico e histórico, que representam diferentes períodos da História da Arte. Nesse sentido, nossos esforços procuram compreender suas trajetórias e como elas se consolidaram e se consolidam no campo da arte. É importante frisar que a escolha diz respeito ao entendimento de que pesquisar os processos de legitimação de artistas mulheres é tão importante quanto pesquisar os silenciamentos de tantas outras, pois assim também é possível compreendermos suas condições de produção e de aceitação por seus pares.

Além da pesquisa curatorial, “Gostem ou não” apresenta aos públicos do MARGS o levantamento de dados efetuado pelo projeto Mulheres nos Acervos, que indica que mulheres representam 35% do total de artistas (390) e 39% do total de obras (2.048). Nossa pesquisa revela, no entanto, que, embora a assimetria entre os gêneros ainda seja uma realidade na coleção do museu, seus números estão acima da média mundial de coleções museológicas de arte (20% de mulheres para 80% de homens).

Nessa perspectiva, a importância de a instituição conhecer a si mesma passa não só por seu acervo, como também por suas estruturas de funcionamento e suas políticas de gestão. Se observarmos a história do MARGS, por exemplo, em um total de 27 gestões, apenas 3 mulheres foram diretoras: Evelyn Berg Ioschpe, Mirian Avruch e Romanita Disconzi. Entretanto, a equipe técnica do museu sempre foi formada, majoritariamente, por mulheres, fato que nos faz crer que os dados levantados são reflexos dessa dinâmica, uma vez que as políticas de aquisição e exibição estão atreladas diretamente aos cargos de poder.

Entendemos que, para atingir a equidade, é preciso refletir sobre essas políticas e seguir construindo diálogos horizontais, que exigem participações plurais e confrontos com narrativas hegemônicas. Assim, alinhamo-nos com a pesquisadora mexicana Brenda Caro Cocotle: “ou descolonizamos o museu, ou nada feito”.

Dividida em dois eixos, a exposição apresenta na galeria Iberê Camargo obras produzidas majoritariamente entre o século 19 e o século 20. Já na sala Oscar Boeira são priorizadas obras de arte contemporânea produzidas já no século 21, além dos dados levantados pela pesquisa Mulheres nos Acervos em cartazes colados nas paredes da galeria.

Nesse conjunto, “Gostem ou não” traz a público obras do acervo artístico do MARGS nunca expostas desde suas doações, como “Projectio I” (1984), de Regina Silveira, e “Atlas do céu azul” (2008), de Marina Camargo, além de aquisições recentes de artistas como Alice Brueggemann, Christina Balbão e Maria Lídia Magliani, única artista negra identificada no acervo do museu.

Cabe ainda ressaltar que “Gostem ou não” discute questões de gênero, ainda que as artistas presentes na exposição não tenham necessariamente trabalhado com essas problemáticas em suas obras, visto que produziram e produzem arte a partir de diferentes dinâmicas de poder e situações sociopolíticas. Entretanto, a pluralidade de diálogos e contraposições provenientes dessas produções permite uma abordagem desta que é uma das pautas tão caras ao nosso tempo: a presença de mulheres no campo artístico.

Mulheres nos Acervos

(Cristina Barros, Marina Roncatto, Mel Ferrari e Nina Sanmartin)

 

 

Bios

Cristina Barros

Graduanda do Bacharelado em História da Arte na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Estagiária do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). Possui experiência em mediação cultural e curadoria. Desde 2018 faz parte do corpo editorial da revista acadêmica ÍCONE: Revista Brasileira de História da Arte, vinculada ao Departamento de Artes Visuais e ao Bacharelado em História da Arte da UFRGS. Na pesquisa acadêmica, dedica-se aos estudos de legitimação de práticas artísticas contemporâneas e é bolsista PROBIC/FAPERGS.

Marina Roncatto

Marina M. Roncatto é graduanda do Bacharelado em História da Arte na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Bolsista de Extensão do Setor de Acervo Artístico da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo (IA – DAV/UFRGS), onde contribuiu no processo de catalogação e produção de textos para o catálogo geral lançado em 2015. Em 2017 trabalhou como auxiliar de curadoria da exposição “Aã” na Fundação Vera Chaves Barcellos e em 2018 fez a curadoria da exposição “O Silêncio, o Tempo e a Voz” para o saguão da Reitoria da UFRGS. Neste mesmo ano atuou na performance e instalação “Capa canal” de Héctor Zamora e na instalação performática “Departamento de recursos não revelados” de Mark Dion, ambas presentes na 11º Bienal do Mercosul.

Mel Ferrari

Mélodi Ferrari é historiadora da arte, produtora cultural, pesquisadora e curadora independente. Graduada em História da Arte (2018/2) e Comunicação Social (2012/1), possui especialização em Economia da Cultura (2015/1), todas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem pesquisa publicada sobre Políticas Culturais em Museus e agora dedica-se ao estudo da arte do Rio Grande do Sul através do projeto sobre gênero e acervos Mulheres Nos Acervos. Já atuou como mediadora em instituições culturais da cidade e trabalhou no núcleo de curadoria do MARGS.  Foi curadora de exposições no MARGS, Instituto de Artes Visuais do RS, Instituto de Artes da UFRGS e Pinacotecas da Prefeitura de Porto Alegre. Coordena o projeto educativo da exposição Estratégias do Feminino no Farol Santander Porto Alegre. Integra o conselho curatorial do Linha, espaço de ateliês compartilhados. É sócia e produtora da Papelera – Feira de Artes Gráficas. É coordenadora do colegiado setorial de artes visuais do Estado do Rio Grande do Sul.

Nina Sanmartin

Nina Sanmartin Moreira Alves é graduanda do Bacharelado em História da Arte na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Bolsista de Extensão do Setor de Acervo Artístico da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo (IA – DAV/UFRGS). Em 2018, atuou como co-curadora da exposição Sinfonia da Alvorada, coletiva com artistas do acervo do MARGS e convidado (Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre). Possui experiência em produção cultural e catalogação de acervos de artes visuais.

 

 

SERVIÇO

Até 27.11.2020

Acesse: www.sesc-rs.com.br/exposicaogostemounao

Parceria MARGS e SESC/RS

Valores e disponibilidade são responsabilidades dos produtores

Gratuito

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