Pela primeira vez online, Feira do Livro de Porto Alegre começa dia 30 de outubro

A programação deste ano está organizada a partir dos temas valorização da cultura, diversidade, ciência e sustentabilidade

Literatura

Evento gratuito

30 de outubro de 2020 a 15 de novembro de 2020

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Neste ano, tudo fugiu da normalidade. Os setores da vida precisaram se reorganizar. Com a Feira do Livro, não foi diferente. Considerando sempre a segurança do público e dos participantes em primeiro lugar, bem como a sua importância na formação de leitores, a Câmara Rio-Grandense do Livro entendeu que as mudanças trazidas pela pandemia da Covid-19 exigiriam adaptações ao tradicional evento de Porto Alegre. A querida Praça da Alfândega não poderia ser ocupada pelas milhares de pessoas que costumam frequentar a Feira, não poderia receber a efervescência de todos os anos. Foi preciso transformar o cenário de dificuldades, de saudades e de pesar em algo positivo, produtivo e novo. O que poderia ser uma crise acabou trazendo uma oportunidade de inovação. A partir de agora, a Feira do Livro se insere em um novo patamar, alinhando-se também com as tendências do mercado e da integração ao mundo digital.  

Toda a programação de 2020 acontece inteiramente on-line. Encontros com autores, lançamentos, balaios de descontos, contações de histórias, atividades paralelas, entre outros, estão concentrados aqui na plataforma e são acessíveis não apenas para o público cativo, que vive em Porto Alegre ou que costumava visitar a cidade por ocasião da Feira, mas para todos. Para quem quiser ver, ouvir, participar e compartilhar, de qualquer canto do mundo.

Para garantir a relevância e a representatividade de uma programação intensa e em um novo formato, a 66ª Feira do Livro de Porto Alegre conta, este ano, com uma curadoria acompanhada de um manifesto. Lu Thomé, jornalista, escritora e editora, assumiu a tarefa de pensar a relação e a conexão entre cada uma das atividades da programação geral a fim de montar uma grade de atividades que fosse atual e que prezasse, acima de qualquer outra coisa, pela importância dos debates. A programação Infantil e Juvenil segue a cargo de Sônia Zanchetta, que também se adaptou ao on-line.

Se, por um lado, o ambiente digital proporciona um alcance ainda maior, por outro, justamente pela quantidade de eventos que acontecem simultaneamente nas redes, ele exige mais qualidade. Pensar uma linha condutora entre as lives que integram a Feira foi o ponto central do trabalho da curadora. Lu Thomé conta que o primeiro passo foi pensar na programação como um todo. “A programação precisava dialogar com a maneira como estamos vivendo este ano e também com as pautas que nos rondam nos últimos meses. E, é claro, ter o livro como centro de tudo”, aponta. Assim, como não poderia deixar de ser, é do livro e da literatura que irradiam os temas que compõem o grande guarda-chuva temático da 66ª edição.

Valorização da cultura, diversidade, ciência e sustentabilidade são os quatro pilares da programação deste ano. Temas urgentes no Brasil e do mundo de hoje. Discussões necessárias, que ganham cada vez mais voz nos tempos atuais.  "O primeiro deles, naturalmente, tinha que ser a valorização da cultura. Com a pandemia, vimos aumentar o consumo de livros, vimos as pessoas se dedicando a assistir programas culturais através das redes. Então, é um momento de valorizarmos não só o que é feito, mas também os profissionais que fazem, e, no âmbito da Feira, especialmente aqueles que são da área do livro", comenta a curadora. Em seguida, a diversidade desponta como um tópico principal, uma vez que a programação foi pensada detalhadamente para incluir perfis de autores que simbolizam isso, ou seja, autoras mulheres e da comunidade negra, indígenas e representantes da comunidade LGBTQIA+, bem como proporcionar debates acerca de questões como antirracismo, inclusão e feminismo. Já a valorização da ciência, a própria questão da pandemia e a sustentabilidade aparecem na programação como uma forma de proporcionar uma reflexão sobre como nós nos relacionamos com o planeta e para onde vamos apontar agora, a partir da experiência e dos traumas da Covid-19.

A partir do mote "Janelas abertas para a Praça", a curadoria deseja que, ao longo da Feira, cada tela conectada à programação (seja em smartphones, tablets, smartvs) possa se transformar realmente em uma nova janela aberta para esta praça de diálogo e de pensamento. Que os 36 eventos da programação geral, com seus 90 convidados, possibilitem ao público ouvir, discutir e trocar sobre tópicos essenciais que os livros nos trazem. Histórias que nos falam muito sobre o hoje e que, certamente, nos ajudarão a pensar o amanhã."

Valores e disponibilidade são responsabilidades dos produtores

Gratuito

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