30 de novembro de 2018

Diretoras mulheres levam o Grande Prêmio do Cine Esquema Novo 2018

Júri elegeu os filmes de Camila Leichter e Marcela Bordin como os vencedores da Mostra Competitiva Brasil

Cinema

Encerrou nesta quarta-feira, 28 de novembro, o Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira 2018, que reuniu produções cinematográficas até então inéditas em Porto Alegre, videoinstalações, cursos e palestras. O filme ‘Chuva é cantoria na aldeia dos mortos’, longa-metragem de Renée Nader Messora e João Salaviza, foi exibido na noite, que terminou com a cerimônia de premiação da Mostra Competitiva Brasil, na Cinemateca Capitólio.

O júri elegeu dois filmes como os grandes vencedores da noite: A Casa, de Camila Leichter, e Princesa Morta do Jacuí, de Marcela Ilha Bordin, que receberam o Grande Prêmio Cine Esquema Novo 2018. As diretoras dividiram o troféu, criado pelo artista Luiz Roque, além de R$ 7 mil em locação de equipamentos na Locall Porto Alegre, apoiadora da premiação. Composto pelo jornalista, crítico e programador Leo Bomfim, a atriz-bailarina e mestre em performance artística Renata de Lélis e a artista e mestre em poéticas visuais Romy Pocztaruk, o júri avaliou 39 obras, exibidas em sessões de cinema, videoinstalações e performance.

Além do Grande Prêmio do Cine Esquema Novo 2018, ganharam destaque El Meraya, de Melissa Dullius e Gustavo Jahn, Azougue Nazaré, de Tiago Mello, B.U.N.I.T.A.S [ce], de Estela Lapponi, A Cidade dos Piratas, de Otto Guerra, Inferninho, de Guto Parente e Pedro Diógenesalém de Menção Honrosa para Tinta Bruta de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, Sem Título (5), de Maíra Flores e Luciano Scherer, Supercomplexo Metropolitano Expandido, de Guerreiro do Divino Amor.

Nas palavras do júri, ‘A Casa’ obteve o prêmio pela sensibilidade ímpar, por transportar “para um tempo onde a memória é um artefato para construção da identidade feminina. Enigmático, sutil e intenso”. Já ‘Princesa morta do Jacui’, conquistou a honraria por caracterizar-se como “ficção cientifica B nos confins do progresso no Rio Grande do Sul, onde a crença nas possibilidades fabulares cria uma narrativa delirante”. A diretora Marcela Ilha Bordin ressaltou a satisfação de receber o prêmio de um festival como o Cine Esquema Novo, “consagrado pelas escolhas de programação singulares, que conversam com um cinema desviante e que, por isso mesmo, é tão rico”. De acordo com ela, foi um trabalho longo, iniciado com uma ideia tão estranha quanto “fazer uma ficção científica em meio a silos abandonados no coração do Rio Grande do Sul”.

Também jornalista, Marcela tem mestrado em Letras e atua como roteirista. Sobre fazer cinema, tarefa nada fácil, ela completa: “se torna menos ainda quando a dedicação de tanta gente é comparada à vadiagem, como se o que construímos fosse dispensável para uma sociedade com finanças em crise. Parece que se esquece que a cultura não existe como adendo: o cinema é feito, mas ele também nos faz”.

O festival

O evento reuniu durante uma semana um público de mais de 2500 pessoas, com programações na Cinemateca Capitólio Petrobras, Goethe-Institut Porto Alegre e Ocupação Utopia e Luta. Em 2018 o CEN apresentou novidades em seu time curatorial, que contou com dois sócios da ACENDI, Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo, e também Vinicius Lopes, parceiro da Pátio Vazio.

Além da Mostra Competitiva Brasil, o festival contou com duas mostras especiais: Topographical Translations, de Philip Widmann, e Existir/Resistir do duo Strangloscope, além de atividades formativas, como o Seminário Pensar a Imagem, ministrado por Elaine Tedesco, James Zortea e Maria Henriqueta Creidy Satt, e as oficinas Crítica no Brasil Hoje, ministrada pelo jornalista e crítico Daniel Feix e Câmera Causa, ministrada pelo sócio da ACENDI e  realizador Gustavo Spolidoro e a realizadora Jadhe Fucilini.

 

Números do CEN 2018

10 filmes premiados

3 mostras

39 filmes selecionados para Competitiva Brasil

13 projetos dirigidos por grupos

13 realizadoras

36 realizadores

9 produções assinadas por brasileiros no exterior

34 filmes em exibição na Cinemateca Capitólio

sessões com acessiblidade

1 filme no espaço expositivo do Capitólio

4 filmes na galeria do Goethe-Institut

2 performances

2 seminários

Mais de 30h programação em sala de cinema, galerias, ruas e paredes da cidade;

22 sessões em sala de cinema

oficinas 

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* Por Amanda Zulke, com informações de Bruna Paulin

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