11 de março de 2021

Três Perguntas para Bel_Medula

Nesta sexta-feira, 12, a artista lança o primeiro single do álbum Semente

Música

Por Mariana Moraes
Foto: Alfamor

 

Nesta sexta-feira, 12 de março, a artista Bel_Medula lança a canção e o videoclipe de Os Ouvidos Têm Parede nas plataformas de streaming. A música é o primeiro single do álbum Semente, que será lançado em junho deste ano. Semente é o terceiro álbum de Bel_Medula e sucede as produções PeleOsso (2019) e Luna (2020). Assim como nos discos anteriores, as vivências femininas serão destaque nas composições do novo álbum.

A Clandestina conversou com Bel_Medula sobre a nova música, o álbum Semente e as perspectivas para 2021. Confira:

 

Clandestina: Por que a música ‘Os Ouvidos Têm Parede’ foi escolhida para ser o primeiro single do álbum Semente? Sobre o que ela fala?

 Bel_Medula: Os Ouvidos Têm Parede é uma música sobre escuta, sobre as dificuldades de ouvir as opiniões das outras pessoas, e sobre tudo o que acontece a partir destas múltiplas camadas não ditas do discurso. Além da letra tratar deste tema, a música foi construída sobre muitas camadas de samples de voz modificadas, sobre camadas onde algoritmos geram sons, combinados com grooves pesados.

A música foi escolhida para ser o primeiro single porque me parece que ela conversa com o que estamos vivendo agora de uma forma muito enfática e urgente, ela não é uma música sobre pandemia, mas ela é sobre experimentar e trazer um discurso sonoro e político em meio ao caos.

 

Clandestina: Nos seus trabalhos anteriores PeleOsso (2019) e Luna (2020) — , observamos diversas composições que abordam as vivências femininas no mundo e a presença marcante da estética da música eletrônica. Quais temáticas serão abordadas nesse novo álbum? E em relação à sonoridade, o que tem de similar e diferente dos outros discos?

Bel_Medula: Em Semente, as vivências femininas no mundo e as sonoridades eletrônicas continuam sendo uma presença marcante. Neste álbum, eu continuo fazendo uma trilha de experimentar processos de criação diferentes em cada canção, e acho que o álbum está mais pesado do que os anteriores.

Semente é um álbum pensado como uma narrativa longa, como os LPs, e traz diferentes maneiras de se colocar no mundo, tanto nas letras como nos tipos de emissão vocal, nos climas das músicas, nos arranjos.

Assim, o álbum tem um pouco do processo de PeleOsso, das sonoridades groovadas de banda, e das sonoridades eletrônicas de Luna, produzidas em casa com samplers e sintetizadores.

 

Clandestina: Como foi produzir um álbum em meio à pandemia? E quais suas perspectivas para 2021?

Bel_Medula: Produzir um disco em meio à pandemia foi um processo intenso e ao mesmo tempo cotidiano, porque a atitude de experimentar formas novas de trabalhar é meu jeito habitual de produzir. O álbum foi quase totalmente produzido em casa, por mim e pelo Luciano Zanatta, e fomos buscando um processo que fosse de dentro pra fora. Partimos das músicas e das camadas que queríamos experimentar e fomos construindo os arranjos a partir do que cada canção nos pedia.

Assim, o importante nas músicas são menos os caminhos harmônicos e mais os entrelaces de sonoridades entre as camadas e timbres, então recomendo fortemente ouvir em volume alto, de fones ou não, para perceber as diferentes nuances.

Para 2021, a ideia é lançar este álbum e investir em Semente como uma narrativa longa, com diversos processos artísticos associados.


Quem é Bel_Medula?

Bel_Medula é um projeto de Isabel Nogueira, compositora, multiinstrumentista, produtora musical, musicóloga e cantora. Doutora em Musicologia pela Universidade Autônoma de Madrid, estuda piano desde a infância e, ao longo de sua trajetória, pesquisa as potencialidades da voz e dos sintetizadores na expressão artística. É professora da UFRGS e coordenadora do Grupo de Pesquisa Sônicas: Gênero, Corpo e Música (UFRGS).

Suas composições trazem diferentes visões sobre o “ser mulher" no mundo. Grooves, beats e ambiências se misturam a vozes sussurradas, cantadas e faladas, propondo mantras contemporâneos a partir da combinação de elementos sintéticos e orgânicos.

 

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