18 de fevereiro de 2021

A Nuvem Rosa: o novo filme de Iuli Gerbase

Longa-metragem de estreia da cineasta, a produção foi aclamada no Festival de Sundance

Cinema

Por Mariana Moraes

Isolamento social, quarentena e pandemia tornaram-se palavras comuns em 2020 devido à Covid-19. Mas em 2019 esses termos ainda estavam distantes da realidade social da maioria dos brasileiros. Foi nesse longínquo ano que a cineasta gaúcha Iuli Gerbase iniciava as gravações do filme A Nuvem Rosa, sua estreia na direção de um longa-metragem. 

Escrito e dirigido por Iuli, o filme narra os conflitos de um casal que acaba de se conhecer e é obrigado a ficar confinado em um apartamento. O motivo do isolamento é uma misteriosa nuvem rosa tóxica que mata as pessoas instantaneamente.  “A ideia era que a nuvem rosa trouxesse algo como um casamento forçado para esse casal que mal se conhece e de repente está preso um ao outro por anos. O foco do filme é a relação entre eles, como cada um reage ao confinamento e como isso os afeta emocionalmente”, explica a diretora Iuli Gerbase. 

Protagonizado por Renata de Lélis e Eduardo Mendonça, o filme ganhou projeção internacional do Festival de Sundance 2021. A produção foi selecionada para participar na categoria World Dramatic Competition. A Nuvem Rosa é o primeiro filme gaúcho no festival e já acumula inúmeros elogios da crítica especializada, atingindo 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes. “Foi muito incrível ter sido selecionada para Sundance. É um festival tão difícil de entrar que eu nem estava com grandes esperanças. E o chocante foi justamente o número de críticas depois do filme passar em Sundance. Está sendo muito legal o retorno”, celebra Gerbase. 

Qualquer semelhança com a realidade é realmente uma coincidência. Escrito em 2017 e gravado em 2019, A Nuvem Rosa antecipou diversas rotinas e comportamentos que hoje fazem parte do cotidiano pandêmico, como as famosas reuniões por chamadas de vídeo. Foi em março de 2020 que ficção e realidade se encontraram, quando a pandemia da Covid-19 ganhou força no Brasil. Nessa época, Iuli relata que toda equipe se assustava com as semelhanças entre o filme recém gravado e o que acontecia no mundo todo. “Foi surreal. Era todo dia uma pessoa diferente mandando mensagem: “Iuli, o que tá acontecendo? Tu previu o futuro”, lembra a cineasta. 

Inspirado no filme O Anjo Exterminador, de Luis Buñuel, e na peça teatral Entre quatro paredes, de Jean-Paul Sartre, A Nuvem Rosa nasceu do desejo de trabalhar personagens dentro de um limite e os conflitos psicológicos que surgem dessa situação. “Eu queria fazer um filme de pequena escala, pensando que era meu primeiro longa-metragem e que meu orçamento seria baixo”, explica a diretora. 

Além de A Nuvem Rosa, Iuli carrega em seu currículo curtas como Férias (2013) e A Pedra (2019), filmes que já anunciavam a qualidade e o potencial das produções assinadas pela cineasta. Para 2021, Iuli espera poder assistir A Nuvem Rosa em algum festival e acompanhar a reação do público. Atualmente, ela trabalha em seu segundo longa-metragem, que também explorará o universo da ficção científica. 

A Nuvem Rosa ainda não tem previsão de estreia no Brasil. Confira o trailer

 

 

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