17 de setembro de 2020

TRÊS PERGUNTAS: Pedro Cassel

Músico lança seu primeiro disco, 'Abrir', nesta sexta-feira, 18

Música

Texto: Sarah Lima
Foto: Elizabeth Thiel/Divulgação 

Nesta sexta-feira, 18, chega às plataformas digitais ‘Abrir’, o primeiro disco do cantor e compositor Pedro Cassel, lançado pelo selo Escápula Records em parceria com Juba Cultural e Estúdio 12. O músico canta e toca desde os 11 anos de idade, mas só se apresentou em público em 2016, aos 27.

A literatura e a dança atravessam a vivência de Pedro tanto quanto música e suas letras dialogam muito com a poesia. Musicalmente, Pedro se utiliza de uma diversidade de ritmos, desde o baião até o blues, misturando com beats e percussão abrasileirada.

 Para o lançamento de “Abrir”, hoje, às 21h, noite que antecede o lançamento do álbum, o artista participa da sessão ‘No Meu Canto’, com transmissão pelos canais do Instituto de Cultura da PUCRS. Na live, além da apresentação do álbum na íntegra, Pedro, acompanhado pelo produtor do álbum e guitarrista Daniel Roitman, mostra outras canções autorais que não entraram no disco, junto a versões para canções de compositores do nosso tempo.

A Clandestina conversou com Pedro Cassel para saber mais como foi compor esse álbum. Confira abaixo:

CLANDESTINA - Tu toca e canta desde muito novinho, 11 anos de idade, mas se apresentou em público pela primeira vez apenas em 2016. Tem algum motivo para ter esperado até os 27 anos para se lançar publicamente como músico?

PEDRO -  Eu tocava, cantava e compunha desde cedo, mas na hora de escolher um curso eu nem cogitei fazer arte. Me formei em história e pensava em seguir carreira acadêmica. a força da vontade me trouxe de volta pros cadernos de escrita e pro instrumento, e demorei um tempo até sentir segurança no que fazia. Apareci na cena portoalegrense do nada, com um show todo de canções autorais e umas sonoridades bem sujas e atmosféricas. O João Pedro Cé e o Eduardo Lara, que tocam guitarra e baixo no disco, eram os músicos que me acompanhavam. Eu aprendi muito com eles, que são pessoas talentosíssimas e me encorajaram demais.

CLANDESTINA - Tu tens uma grande afinidade com outras áreas da cultura, como a dança e literatura, inclusive gosta de musicar poemas, como “Qualquer um”, de Paulo Leminski, e “Este silêncio”, de Marília Kubota. Como é esse processo pra ti? Como tu defines qual timbre, qual beat combina com cada frase?

PEDRO - Cada canção tem um processo muito único. "Este silêncio", por exemplo, era um poema no qual eu fiquei obcecado por semanas. Mandei por e-mail pra várias pessoas, ficava pensando nele. Um dia, durante o ensaio, o Eduardo Lara fez uma base improvisada no baixo e eu pedi pra ele repetir. Achei que ali tinha caldo pra musicar o poema, e me pus a fazê-lo. Já "qualquer um" me pareceu uma letra de música, um blues bem emocionado, assim que li. Eu diria que o meu critério é o do impacto; a coisa tem que me impactar, ficar comigo, fazer sentido de alguma forma. Como aquilo vai virar som, com o que vai combinar, tudo isso varia de acordo com o contexto.

CLANDESTINA - Por fim, tu vens construindo o disco 'Abrir' há alguns anos. Quanto tempo levou pra reunir tudo? E, agora, com ele pronto, achas que ele é um álbum de músicas com letras que 'dão barato' como as que tu gostava de ouvir quando criança?

PEDRO - A primeira canção que compus pra esse projeto é a faixa-título, "abrir", lá de 2014. a última foi "tango tempestade", de 2016. Desde então eu fiz vários shows e tentei viabilizar o disco de muitas maneiras: editais, parcerias, empréstimos. Eu não queria que o resultado soasse amador, mas também não tinha conhecimento nem ferramentas pra agitar isso. A Escápula Records, meu selo, e a Juba Cultural, minha produtora executiva, entraram no jogo há mais ou menos um ano e me ajudaram muito nessas articulações. Meu produtor musical, o Daniel Roitman, também.

Quanto às letras darem barato: "abrir" é um álbum cheio de imagens. Tem fendas, raios e ondas. fala de silêncios e do invisível, mas também de árvores e pedras. cada uma delas funciona pra mim de alguma maneira, e só posso esperar que pros outros isso também aconteça. veremos.

Faça o pré-salve do álbum clicando aqui, ou na imagem abaixo: 

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