30 de julho de 2020

Nego Joca: das batalhas de freestyle ao primeiro álbum

Conheça a trajetória do rapper gaúcho que vem se destacando na cena local

Música

Texto: Mariana Moraes

Fotos: Bianca Sabino

 

Aos 12 anos, Joaquim Lima, mais conhecido como Joca pelos amigos e familiares, descobria os primeiros versos de rap nas vozes de 50 Cent e Ja Rule. Antes de sonhar em ser artista, Joca foi fã. A estética do rap norte-americano foi sua primeira referência musical. O rap nacional passou a fazer parte do repertório de Nego Joca na figura de Sabotage, uma de suas principais influências musicais até os dias de hoje. Apesar do contato precoce com o gênero musical, suas primeiras rimas nasceram apenas aos 19 anos, quando começou a frequentar festas e shows de rap e participar de batalhas de freestyle. “Eu bebia, me soltava, mandava um freestyle e às vezes tinha um outro mano que também sabia. Na frente do evento, a gente fechava uma roda e rimava”, conta Joca. 

Foi em uma dessas ocasiões que o rapper ouviu falar pela primeira vez da Batalha do Mercado, famosa competição de rima improvisada no centro de Porto Alegre. Três meses após começar a frequentar a batalha de MCs, Joca se consagrou campeão. Como premiação, ganhou uma gravação em estúdio, lançando assim sua primeira música. “Nessa época, eu já estava escrevendo minhas próprias composições e pensei 'acho que na real seria legal viver do rap, acho que é isso que quero fazer, me identifico, tem um propósito nisso'. Foi uma construção. Quando eu percebi, já tava muito afundado e queria viver da parada”, lembra o músico. Aos seus passos, o rapper começou a trilhar sua carreira musical e o nome Nego Joca passou a se destacar como um dos principais da cena do Rio Grande do Sul — recentemente, o artista foi um dos mais votados no Desafio #CançõesNossas, do coletivo Novos Discos Nossos, espaço para reverberar as produções musicais do Estado. 

Em 2016, o rapper produziu o seu primeiro EP, intitulado Pré-História: Introdução ao Sonho de Guri (Vol.I). A produção compilou músicas já lançadas e algumas inéditas. Um dos grandes sucessos foi a canção "Não Diga Que Me Ama". Em 2020, Nego Joca lançou seu primeiro álbum: Pré-História: Introdução ao Sonho de Guri (Vol.II), projeto que deu continuidade ao seu primeiro trabalho. O conceito de pré-história, que permeia as duas produções, é uma metáfora para a marginalização da cena local e a busca pela “evolução” — seja em forma de reconhecimento profissional ou de crescimento como artista. “Quando eu produzi o EP, eu tava numa vibe de que as coisas iam acontecer naturalmente, eu achava que eu não precisava focar no rap, que era só lançar as músicas que as pessoas iam ouvir. Conforme o tempo foi passando, eu fui fazendo mais músicas, investindo mais dinheiro e vi que o negócio não tava andando. Eu comecei a ficar um pouco frustrado e a sentir de fato a dificuldade que é viver na cena daqui”, explica Joca. 

Lançado em meio a pandemia da Covid-19, seu álbum de estreia bateu 10 mil players no Spotify em duas semanas. Com a música “Neblina”, o rapper conquistou o primeiro lugar na categoria autoral no Desafio #CançõesNossas. O disco é fruto de um financiamento coletivo e do esforço e dedicação contínuos de Joca para sobreviver como artista independente. Apesar das dificuldades impostas por um cenário de pandemia e de pouco investimento na cultura, Nego Joca vem traçando novos planos para deixar a “pré-história” e ascender na cena do rap. O músico tem trabalhado em novas composições e planeja um re-lançamento do seu álbum quando a situação se normalizar. “Uma das formas que eu encontrei de manter o disco como algo novo é o lançamento de uma versão deluxe. É o mesmo álbum, só que com mais faixas inéditas”, explica o rapper. Além das novas músicas, Joca lança, nesta quinta-feira (30), às 20h, o clipe de “Te Olhando de Longe”, em seu canal no Youtube.  

Para ficar por dentro de todas as novidades do Nego Joca, acompanhe suas redes sociais e canal no Youtube.

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