04 de fevereiro de 2020

Calor dos Palcos

Nossa colaboradora Laís Auler indica espetáculos da programação do Porto Verão Alegre, que segue até 16 de fevereiro

Artes Cênicas

Texto: Laís Auler

 

A 21º edição do Porto Verão Alegre (PVA) veio para esquentar ainda mais a cidade nesta temporada de calor. Após um ano do fechamento do Ministério da Cultura e uma sucessão de baixas no fomento de projetos artísticos, o festival, que movimenta a cultura porto-alegrense há duas décadas, inicia o ano de 2020 com um vasto catálogo de peças teatrais.

Neste ano, foram quase 150 espetáculos dentro da agenda. Dentre elas, clássicos do teatro gaúcho, como “Bailei na Curva”. Ou então os confirmados do PVA, como “”Se meu Ponto G falasse” e “Goela Abaixo ou Por Que tu não bebes?”. E para encorpar ainda mais o cronograma, o evento inseriu diferentes estreias dentro da programação, como “Cinza Tropical” e “Milhões Contra Um”. Também contou com mostras especiais para reviver espetáculos encenados em 2019, como a Mostra Ponto de Teatro, no Instituto Ling, e a Mostra Tchekov, apresentada no Teatro Renascença.

E para movimentar a cidade neste clima de férias, as apresentações começaram em janeiro, mas se estendem até o dia 16 de fevereiro. Confira algumas dicas de peças para dar um refresco da temporada de verão em Porto Alegre, com muita arte e cultura:

- Nesta semana, estreia no festival a peça "No te Pongas Flamenca” nos dias 04, 05, e 06 no Tetro do CHC Santa Casa. Uma mistura de teatro com dança flamenca, histórias da vida e do mundo, feminismo e humor, manifesto e poesia. Uma remontagem de histórias pessoais e de mulheres da família da atriz, corpos fortes e expostos em suas vulnerabilidades.

- E mais mulheres no PVA: “Frida Kahlo – À Revolução”, encenação que mistura vida e obra da pintora mexicana, movimenta o palco do Teatro CIEE. O espetáculo completa 11 anos, e aborda temas importantes como protagonismo feminino, acessibilidade e inclusão, combate à violência e liberdade artística. Nos dias 05 e 06 serão oferecidas sessões com libras e audiodescrição, e a peça segue nos dias 07, 08 e 09.

- A Sala Alvaro Moreyra, nos dias 04, 05 e 06, recebe a encenação do texto original “Mritak – Como vivem os mortos”. Trata-se de uma história real de um indiano indicado ao Prêmio IG Nobel da Paz, que ficou legalmente morto por 19 anos, sem perder o humor. A comédia era, originalmente, um monólogo de Luiz Henrique Palese, e em 2011 ganhou nova montagem com três atores em cena.

- “Como Cozinhar um Lobo” assume o posto da Sala Álvaro Moreyra nos dias 07, 08 e 09. A peça realizada por alunas da UFGRS faz sua estreia no festival. A cena se passa ao redor de uma mesa, na qual tem-se um cardápio servido em três atos: entrada, prato principal e sobremesa. A brincadeira consiste em imaginar cenicamente formas absurdas, radicais ou ridículas que vivenciamos - do público ao privado - o sentido político.

- Na última semana, nos dias 11, 12, 13 e 14, “Tocar Paraíso” volta ao teatro do Instituto Goethe. A peça fez parte do projeto Transit, e é uma das versões do texto do dramaturgo alemão Thomas Kock. Trata-se de um drama musical e crítico, que reflete sobre s consequências do projeto capitalista global.

- “Deus é um DJ” conta a história de um casal em um novo projeto artístico: filmar o seu cotidiano. As suas cenas pessoais são transmitidas ao vivo e a vida se mistura com os eventos que produzem. Uma reflexão acerca da espetacularização da vida, questionando a relação entre realidade e ficção e nossa postura diante das redes sociais. Nos dias 11, 12 e 13 no Teatro de Arena.

- “Tabataba: dois contra o mundo” conta a história de dois irmãos negros que moram no bairro Tabataba. Em um ambiente quente e precário, os dois refletem acerca das suas relações pessoais e com a comunidade. O espetáculo mistura o texto de Barnad-Marie Koltés com experiências pessoais dos atores, enlaçando realidade e ficção. A peça fica em cartaz nos dias 14,15 e 16 no Teatro Carlos de Carvalho.

- E para encerrar o festival, o Grupo Pretagô estreia seu novo trabalho, “Mesa Farta”. A mesa, esse lugar das refeições e também de reflexões diárias, serve de inspiração para o grupo pensar sobre a possibilidade de mudanças a partir das escolhas, confissões, compartilhamentos, celebrações e decisões que são tomadas na atualidade. Nos dias 15 e 16, no Teatro Renascença.

 

Para aproveitar com as crianças:

Para quem fica com as crianças nos finais de semana em Porto Alegre, pode aproveitar e levar os pequenos para curtir o festival.

No dia 08 de fevereiro, é a vez de “É Proibido Miar – Um espetáculo para as crianças sobre o respeito às diferenças”, peça baseada no livro de Pedro Bandeira que conta a história de um cãozinho que miava como um gato para desespero de sua família. Já “A Praga de Unicórnios”, no dia 09 de fevereiro, trata de uma fábula urbana que fala dos direitos da criança à felicidade, onde crianças de um prédio se reúnem para combater as proibições absurdas criadas pelo síndico do condomínio.

Enigma das Caixas” abre a programação do último final de semana do festival. A peça conta a história de Joaquim, um menino que mora em Caixinhas do Sul, escrevendo histórias na praça da cidade até que um dia algo inesperado acontece. O segredo está nas caixas. No dia 16, “João e Maria” encerra a programação infantil. Trata-se de um musical que adapta o conto clássico dos Irmãos Grimm.

Todas as apresentações da Mostra Infantil acontecem no Teatro do Sesc POA às 17h.

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Lais Auler é formada em Jornalismo pela PUCRS, estudante de Escrita Criativa e atriz. Interessada nas diferentes formas de se contar histórias, com um carinho especial pelo teatro, cinema e poesia. 

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