27 de novembro de 2019

Entrevista: As Aventuras

Formada por cinco musicistas, a banda instrumental lança seu disco de estreia, '‘Mulher-Panthera’, no projeto Som no Salão

Música

Entrevista: Lídia Brancher
Foto: Elizabeth Thiel
Arte gráfica: Lídia Brancher & Carol Rosa

As Aventuras lançam seu primeiro álbum ‘Mulher-Panthera’ nesta quarta-feira (27), às 20h, no projeto Som no Salão, da UFRGS, com entrada gratuita. Para dar um gostinho do que vai ser essa viagem sonora que se abre na cena da música instrumental, fizemos algumas perguntas para registrar este momento. A banda, formada em 2008, conta com cinco integrantes: Aline Araújo (teclas), Carol Souza (bateria), Gabi Menoncin (guitarra), Gabriela Lery (baixo) e Nati Schmitz (guitarra). A sonoridade que se expande por diferentes gêneros musicais vem explorando novos caminhos: do prog à música popular brasileira, o som das Aventuras, que tinha uma onda de surf music dos anos 50-70, está se transformando. Bóra entender ;}

Clandestina - As Aventuras são conhecidas como uma banda de surf rock instrumental. Neste trabalho que será lançado existem elementos, ritmos, instrumentos e levadas de outros estilos musicais formando mesclas muito interessantes. De onde vocês trazem essas influências que estão transformando a música de vocês? Surf music vai continuar sendo o estilo base da produção musical da banda?

As Aventuras - De maneira geral, no processo de composição deste disco nós não nos preocupamos em nos encaixar em algum estilo musical específico. Deixamos que nossas ideias fluíssem livremente, de maneira que as nossas influências pessoais naturalmente emergiram e resultaram nessa pluralidade sonora. Nosso norte é a música instrumental.

Clandestina - Gostaria que vocês contassem um pouco como funcionou a produção musical, toda essa parte de composição da sonoridade das músicas, influências e etc.

As Aventuras - Nós começamos a compor há aproximadamente dois anos, depois de sermos instigadas pelo nosso atual produtor musical, João Pedro Ce. Na época, ele estava à frente da organização do Festival Porto-Alegrense de Bandas Instrumentais e questionou a falta de representatividade feminina naquele contexto. A banda, já nos seus 8 anos de trajetória, teve, com isso, o estímulo que faltava para iniciar este processo criativo. As composições surgiram de forma coletiva, fruto de muitos encontros imersivos em que passávamos dias tocando e experimentando juntas, muitos deles com a presença do João.

Clandestina - A produção executiva da banda está sendo feita pela Alice Castiel e ela é responsável por eventos importantes da cena musical gerida por mulheres em Porto Alegre. Como tem sido essa parceria?

As Aventuras - Maravilhosa. Começamos a trabalhar juntas no segundo semestre deste ano. Apesar da parceria recente, ela está contribuindo com novas concepções e possibilidades de espaços a ocupar, trazendo também um viés mais artístico e performático pra banda. Estamos construindo esta nova fase juntas.

Clandestina - Ao passar pelo Soundcloud (https://soundcloud.com/asaventuras) observei que as músicas que compõem o novo álbum possuem nomes de mulheres: Mariana, Leci vai à praia, Carola, Maria Bonita em um dia ruim, Panthera do Pará e Irmã Roseta. Qual razão para essas escolhas?

As Aventuras - A narrativa do álbum foi construída a partir do conceito de empoderamento. Somos mulheres ocupando um espaço majoritariamente masculino, principalmente no que se refere à música instrumental. Nosso álbum é um reflexo dessa ocupação. Buscamos nomes que fizessem alusão ao conceito da obra, que não tem um estereótipo de feminilidade. O ânimus selvagem traduzido pela Mulher-Panthera encarna a junção do que há de melhor em todas nós.

Clandestina - Vocês vão lançar esse álbum no Som no Salão, no Salão de Atos da UFRGS, nesse momento delicado em que a cultura e a educação estão sendo atacadas pelo governo atual. Queria entender se isso tem alguma interferência na produção e posição de vocês. Como é ocupar esse espaço nesse momento?

As Aventuras - Poder ocupar esse espaço no momento em que a cultura e a educação são os maiores alvos de ataques políticos e reacionários representa nada mais do que a nossa obrigação como mulheres artistas. Vemos na liberdade de expressão e na diversidade cultural as bases para a construção de uma sociedade livre, justa, fraterna e igualitária. Sempre resistiremos.

Clandestina - Como foram as escolhas e encontros das participações para esse show?

As Aventuras - A Pata de Elefante foi uma banda que sempre nos inspirou e apoiou. Um momento importante dessa parceria foi a nossa participação na gravação da música Squirt Surf, no segundo disco da banda. Desde que iniciamos os nossos processos de composição, o Gabriel Guedes sempre esteve presente, como amigo e ouvinte crítico. A ideia de trazer a Iandra Cattani pro palco partiu de um encontro em que ela sinalizou a vontade de performar conosco. Há cerca de três anos, ela apresentou uma proposta irrecusável, que estava apenas aguardando o momento certo para se realizar. A hora é agora! Por fim, a Thayan Martins, que participou da gravação de duas faixas no nosso disco, topou levar essa sonoridade construída pro palco.              

Clandestina - Após o lançamento desse álbum o que podemos esperar das Aventuras?

As Aventuras - Estamos muito felizes e empolgadas com este momento, esperamos fazer muitos shows e queremos fazer esse disco girar. Já temos novas composições na gaveta, e seguiremos nesse processo.

> Conheça o som das Aventuras:

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