26 de novembro de 2019

Série gaúcha estreia em dezembro no canal Prime Box Brazil

Criada por Frederico Ruas e Leonardo Garcia, Paralelo 30 traz, com humor, um novo olhar sobre Porto Alegre e sua juventude

Cinema

Texto: Mariana Moraes

Porto Alegre, uma república formada por jovens completamente diferentes e uma intercambista espanhola que pensa estar no Rio de Janeiro: essa é a premissa da nova série gaúcha Paralelo 30. Montse (Alessandra Bier) é o ponto de partida dessa história, ela chega a Porto Alegre esperando calor, samba, e se depara com uma cidade violenta, provinciana, sem atrações turísticas, mas que apesar dos pesares ainda mantém seu encanto. Nessa jornada pela cidade, Motse é guiada pelos colegas de república Calzone (Diogo Verardi), Val (Gabriela Poester), Tina (Hayline Vitória), Dodô (Rodolfo Ruscheinsky) e Geraldo (Walney Costa), que, apesar das diferenças, conseguem deixar a convivência divertida.

A série, realizada através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro, será lançada no dia 3 dezembro, às 20h30, no canal Prime Box Brasil. Paralelo 30 é a concretização de um sonho que nasceu em 2007, com o primeiro piloto da série. Como explicam os criadores Frederico Ruas e Leonardo Garcia, a história passou por muitas modificações. Inicialmente, a ideia era que fosse uma comédia dramática, mas a experiência e os diversos trabalhos desenvolvidos pelos criadores ao longo dos anos mudaram os rumos da produção.  “Se existe algo entre a ideia original e essa, é o desejo de falar sobre um lugar no mundo, e um tempo. Ou seja, Porto Alegre, no nosso tempo. Jovens de 2007 tinham algumas questões, jovens da atualidade têm outras”, destaca Ruas. Na versão atual, o tom cômico prevalece, o que não tornou a realização do projeto mais fácil. “É super difícil fazer comédia, ao mesmo tempo que a história tem que avançar, tem que fazer rir. A gente quebrou muito a cabeça escrevendo em grupo, era eu e mais cinco roteiristas”, relembra Garcia.

Utilizando a linguagem de sitcom (comédia de situação), muito comum em séries atuais como Friends, Paralelo 30 nos faz rir daquilo que mais odiamos e amamos em Porto Alegre, incluindo os mais diferentes tipos de pessoas. “A gente juntou tipos da cidade, o cara de esquerda, o cara de direita, a paraibana, uma espanhola, todos numa casa, morando juntos. Pensamos, assim, o que surge de comédia a partir disso”, destaca Ruas. Ambos porto-alegrenses, os criadores admitem o medo parecer bairrista durante a produção da série, mas acreditam que ela funcione para todo o país e traga reflexões importantes. “Me incomoda bastante esse bairrismo enaltecedor, de grande parte das manifestações culturais tradicionalistas. Eu acho isso um problema.  Historicamente, acho que querer dizer que tudo é ótimo e que a gente é melhor que os outros, revela um complexo de inferioridade. Eu acho que a comédia, rir dos nossos defeitos, é um bom caminho para tentar fazer algo que tenha um relevância social e que pense como artisticamente eu posso contribuir para a minha sociedade e para o meu futuro. Isso foi umas das minhas motivações para fazer a série”, conclui Ruas.

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