01 de novembro de 2019

Três perguntas: Marcelo Delacroix

Músico está com financiamento coletivo aberto até domingo, 03, para viabilizar o lançamento de seu álbum, Tresavento

Música

O cantor e compositor Marcelo Delacroix está com financiamento coletivo aberto até o dia 03 de novembro para viabilizar o lançamento de seu terceiro disco individual, Tresavento, que está em fase de finalização (mixagem e masterização). Na sequência, será enviado para a fábrica produzir as cópias. Todos os detalhes sobre formas de contribuir, valores e recompensas estão disponíveis no site do Catarse.


A Clandestina conversou Delacroix sobre seu novo álbum, que tem lançamento previsto para dezembro deste ano. Confira!

 Clandestina – A música “Tresavento”, que deu nome ao disco, foi inspirada em um conto do escritor João Guimarães Rosa. De onde surgiu a ideia de transformar o conto em canção? Como foi esse processo? Por que esse conto foi escolhido?

Marcelo Delacroix – Um amigo holandês, Joris, casado com a brasileira Shanti Luz (filha do cantor e compositor Fughetti Luz, compositor da lendária banda de rock Bicho da Seda), vive em Amsterdam e sugeririu uma parceria minha com o pessoal do Munganga, grupo mineiro de teatro, radicado em Amsterdam. Eles me enviaram o conto Tresaventura, do livro Tutaéeia, a ver o que me inspirava. Compus então a música Tresavento, imaginando essa linguagem regional que o Guimarães Rosa tem (que o nosso Simões Lopes Neto também tem), e saiu algo meio moda de viola, utilizando algumas frases e termos retirados do conto.

Empaquei num ponto do processo e não conseguia ir adiante pra finalizar a música. Pedi, então, ajuda para o Leandro Maia, que já tinha feito comigo a música História de nós dois (que também está no disco), e já citava ali Riobaldo e Diadorim – e Guimarães Rosa aparece em outras músicas suas. Leandro estava às vésperas de ir pra Inglaterra fazer um doutorado. Mesmo assim, aceitou o desafio. Passei um fim de semana na cidade de Pelotas, onde ele vive e leciona na universidade (UFPel), e finalizamos a música. Além de colaborar no fechamento da letra, foi ele quem propôs a mudança de compassos, dando a ideia do “corre-corre” na aventura da Maria Euzinha.

Clandestina –  Você é um cantor de destaque da música popular gaúcha. Nesse novo álbum, observamos parcerias com alguns artistas locais. Como é a sua relação com Porto Alegre e como essa relação se reflete nas músicas do novo álbum?

 Marcelo Delacroix – Eu componho bastante em parceria, contando com a colaboração de amigos poetas e letristas. Foi assim também nos discos anteriores, onde estavam Ronald Augusto, Arthur de Faria, Sérgio Napp, Nelson Coelho de Castro, Gustavo Finkler e Arnaldo Antunes.

Agora, em Tresavento, além do Ronald Augusto na milonga Dentro da Noite, aparecem novos parceiros: com Leandro Maia, compus História de nós dois e Tresavento, que dá nome ao disco. Com o escritor e músico Rubem Penz, temos a música Folia do Divino, que já foi anteriormente gravada no disco da cantora Vanessa Longoni, cantada por ela e Danilo Caymmi. Com Jerônimo Jardim, um dos nossos maiores compositores, temos as músicas Milonga Moura e Ponta de Estoque. A música Tempo Bom foi composta sobre um poema da jornalista e poeta Tatiana Cruz. Com o compositor cearense Paulo Araújo, fizemos, a distância, a música Sem Palavras.

Além dos compositores e letristas, também se estabeleceu uma relação muito forte com os músicos que tocam os instrumentos nas músicas do CD. Tresavento me aproximou da nova geração de músicos da cidade, a começar pelo Fabricio Gambogi, que assina a coprodução do disco comigo, e o técnico Wagner Lagemann, responsável pela gravação, no estúdio da Pedra Redonda. Isso agregado a outros músicos já consagrados, com quem eu já havia trabalhado. Todos eles trazem consigo uma bagagem, que transita entre o regional e o universal. E acho que esse é o grande desafio. Trazer elementos regionais, mas conseguir comunicar com o mundo lá fora.

Clandestina - Tresavento possui duas faixas instrumentais, como elas nasceram? Qual a relação delas com seus discos e trabalhos anteriores?

Marcelo Delacroix – No Tresavento, incluí duas músicas instrumentais. São duas músicas de amor. E o amor é o tema de outras músicas do disco. Às vezes, as melodias se expressam mais livremente sem texto. Nos discos anteriores, também havia faixas instrumentais, ou vinhetas que “costuravam” o disco. Acho que essa influência vem das muitas trilhas sonoras de espetáculos de teatro e dança, e também dos tempos da faculdade de Música na UFRGS e do grupo Quebra-Cabeça, com quem gravei um disco de música instrumental.

No álbum Depois do Raio, gravei uma valsa que compus quando nasceu meu filho, há 33 anos, chamada Valsa do Lucas. Agora, no Tresavento, gravei uma valsa que fiz para minha neta, filha dele. Chama-se Valsa da primeira estrela. A outra faixa instrumental também é uma valsa e se chama Dança do Sonho – uma homenagem singela pra Lia (Magali Zanini), minha amada companheira.

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