09 de outubro de 2019

Julha Franz une dimensão social da performance à estética drag queer em ‘Antes do Grito’

Mostra tem abertura nesta quinta-feira (10), na Fundação Ecarta

Artes Visuais

A artista Julha Franz lança, nesta quinta-feira (10), ‘Antes do Grito’, seu primeiro projeto expositivo individual, resultado de pesquisa iniciada na New York University. A mostra está exposta na Fundação Ecarta até dia 24 de novembro e agrupa vídeo-performances e instalações produzidas em 2019, misturando os trabalhos de Julha como drag queer e artista contemporânea.

Reunindo a dimensão social da performance com a celebração da estética drag queer, a exposição traz a dualidade de sua trajetória artística. “Eu meio que sempre vivi duas vidas, sabe? A vida noturna, da montação, do brilho, produção de festas; e a vida de performer, artista, em que sempre trago tensão e densidade nas obras”, conta Julha. Há cerca de um ano, ela começou a pensar em reunir as duas formas: “As duas formam o que sou hoje. Antes do Grito reúne o fruto dessa pesquisa”.

“A alta cultura e o entretenimento vulgar são um reflexo dessas duas vidas, do glamour decadente, da falta de acesso e exclusão social e os mecanismos usados pra hackear o sistema”, explica a artista. De acordo com o curador, Henrique Menezes, os figurinos glamourosos, a gestualidade exagerada e a dublagem caricata constroem uma dramaturgia kitsch empoderada, na qual sobrepõem-se ecos que vão do teatro do absurdo à linguagem dos videoclipes.

Porto-alegrense, com residências na Argentina e Estados Unidos, recentemente Julha foi uma das selecionadas para o curso EMERGENYC, promovido pelo Hemispheric Institute of Performance and Politics na New York University. Para ela, enquanto brasileira e artista imigrante foi um momento tanto efervescente quanto tenso. “Foi uma experiência que me mostrou que identidade é contexto. Claro que temos uma essência, mas a nossa identidade muda muito conforme o contexto social e geográfico. Por exemplo: aqui no Brasil, sou branca, classe média, tenho um monte de privilégios - mesmo dentro das minhas marginalidades, como mulher, queer, lésbica, etc. Lá, esses privilégios mudam de perspectiva: sou latina antes de qualquer coisa”. Sobre ser latina e brasileira, inclusive, Julha criou ‘Carmen’, uma das obras da exposição, que traz a questão da sexualização dos corpos das mulheres brasileiras.

Após o período fora, Julha afirma manter as mesmas temáticas e inquietações, ainda que a perspectiva sofra transformações. “Sinto que quando temos esse privilégio de vivenciar outra cultura nossa perspectiva muda não só sobre o entorno, mas sobre nós mesmos. Então segue reverberando em mim tudo que (des)aprendi por lá, apesar de manter a mesma força e foco político no meu trabalho”, garante.

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Antes do Grito – exposição de Julha Franz

Abertura: dia 10 de outubro, às 19h
Visitação: até 24 de novembro
Fundação ECARTA
Entrada franca

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