05 de setembro de 2019

Três perguntas: Natalia Borges Polesso

A escritora ganhou o Prêmio Jabuti com seu livro de contos "Amora" e este ano lançou seu primeiro romance, "Controle"

Literatura

Entrevista: Sarah Lima
Foto: Divulgação 

Fã de New Order, Natalia Borges Polesso é uma escritora e tradutora gaúcha de Bento Gonçalves/RS. 'Amora', um de seus primeiros livros, foi o vencedor do 58° Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas, em 2016. Antes disso, seu 'Recortes para álbum de fotografia sem gente', venceu o Prêmio Açorianos de 2013 também na categoria contos. 
Em 2019, Natália muda o estilo de narrativa e lança seu primeiro romance, 'Controle'.

Segundo a escritora, 'Controle', "antes de tudo é sobre solidão, é sobre compreender-se a si mesma, sobre como existir não sendo alguém que esteja dentro das regras da normatividade em vários aspectos". 

A Revista Clandestina conversou com a escritora sobre  seu novo livro. Confira!

CLANDESTINA - Tu ganhaste o  Jabuti na categoria contos com o livro "Amora". Quais são as principais diferenças no processo de escrita de conto e de romance?

NATÁLIA POLESSO - Eu entendo a literatura como exercício. Então, a diferença principal que vejo e a da proposição mesmo. Escrever um livro de contos exige tanta atenção, dedicação e disciplina quanto escrever um romance. Mas é claro que há outras diferenças. O processo de cada conto é diferente para mim, tem uns que saem logo de uma vez, como foi o caso de Marília Acorda e outros que demoram anos, como foi o caso de Tia Marga, cujo final ficou em suspenso por quase dois anos, até eu compreender o rumo que queria dar para o texto. Também, é difícil num livro de contos, prestar atenção para não repetir personagens ou ideias, para tentar brincar com as formas de um jeito que não fique esquisito nem enfadonho para o leitor, etc, Já no romance, o exercício é mais longo, acho que o romance exige mais tempo de leitura também, ao menos eu preciso sempre voltar e voltar para ver o que aconteceu e como os fatos vão se encadear. Para finalizar um romance, acho que é preciso dedicar mais tempo seguido também. 

CLANDESTINA - Teu novo livro, Controle, um romance sobre um relacionamento homoafetivo entre duas mulheres, está sendo lançado em meio a uma realidade social retrógrada no país. O que significa pra ti colocar esse livro na rua especialmente nesse momento em que criar uma representatividade lésbica é um grande ato coragem?

NATALIA POLESSO - Como bem disse a Carola Saavedra sobre o livro, Controle, antes de tudo é sobre solidão, é sobre compreender-se a si mesma, sobre como existir não sendo alguém que esteja dentro das regras da normatividade em vários aspectos: para além da questão da lesbianidade, a narradora é epilética, é retraída, sofre de ansiedade, tem baixa auto-estima e só quer viver. Ela só quer viver. Mas uma coisa interessante do livro é que ele termina em 2014. Ou seja, é um livro "livre de bozonaro" rs, acho que é importante dizer. Não sei como Nanda estaria em 2019, mas não quero dar nenhum spoiler. De todo modo, pensar em personagens que desafiam essas lógicas do que é chamado normalidade é sempre algo bom, ao meu ver, ao menos quando escrevo, é sempre algo importante. 

CLANDESTINA - O livro possui diversas referências da banda New Order, como a capa que é do mesmo artista que fez a capa do disco Power, Curruptions&Lies. Quais músicas tu indica para o pessoal curtir após lerem “Controle”?

NATALIA POLESSO - Fiz uma playlist.

 

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Natalia Borges Polesso é doutora em teoria da literatura. Publicou Recortes para álbum de fotografia sem gente (2013), Coração à corda (2015), Pé atrás (2018) e Amora (2015), livro vencedor do Prêmio Jabuti 2016, em que explora as nuances das relações homoafetivas entre mulheres. Em 2017, foi selecionada para a coletânea chilena Bogotá39. A autora tem seu trabalho traduzido para o inglês e o espanhol e sua obra está publicada em diversos países.

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