27 de junho de 2019

Lélia Almeida lança 'numa estrada sem fim que carrego aqui dentro'

Fernando Ramos, curador de Literatura da Clandestina, escreve sobre o novo livro da escritora

Literatura

Texto: Fernando Ramos
Foto: Laura Almeida

 

“Quem ouve a grita dessas mulheres?”, questiona a narradora de numa estrada sem fim que carrego aqui dentro (editora Casa verde, 126 páginas). Pergunta vasta e grave que ecoa por muito tempo na minha cabeça após a leitura da mais recente publicação de Lélia Almeida. Ficam o incômodo e a impossibilidade das respostas imediatas. É urgente ler esse novo livro da Lélia - para entendermos melhor as dores de muitas mulheres, para aprendermos mais sobre solidariedade, para tocarmos em pontos nevrálgicos (dos quais muitas vezes não nos damos conta) de nossa provável miséria humana; e para sairmos do torpor e fazermos algo para denunciar/combater a cultura de violência e as decorrentes opressões e apagamentos de cada dia. Não se calar nunca, é a bela lição de inconformismo que a autora nos dá.

Lélia dá nomes às coisas como elas são em narrativas curtas e aforísticas que, com senso de humor afiado, transformam dores em risadas e inquietações. O mundo está em ruínas e quase insuportável, mas há o direito ao riso, malícias, deboches e fomes - tanto de afeto, quanto de chocolate ou sexo. Lélia faz de sua literatura um gesto de humanismo comovente a cada linha escrita com rigor e clareza. Uma rebelde plena, uma escritora gigantesca, das raras em nosso país, mulher de palavras elegantes. Que sorte poder ler tua literatura hoje, Lélia. Te lendo também choro com o encantamento das pastorinhas, me encorajo a conversar mais com a vida depois desta festa da imaginação que foi encontrar numa estrada sem fim que carrego aqui dentro.

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Lançamento do livro  “numa estrada sem fim que carrego aqui dentro”, de Lélia Almeida

29 de junho, sábado, às 15h

Terezas Café (rua Giordano Bruno, 318, Porto Alegre)

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