11 de abril de 2019

Entrevista com a cantora e compositora Anelis Assumpção

Artista traz o show de ‘Taurina’ ao palco do Agulha, nesta quinta (11)

Música

Entrevista por Amanda Zulke
Fotos: Antonio Brasiliano e Caroline Bittencourt

 

Pisa hoje, 11 de abril, no palco do Agulha, Anelis Assumpção. A convite do Projeto Concha, a cantora e compositora nascida em São Paulo traz o show de seu mais recente álbum, ‘Taurina’. Os ingressos, esgotados, dizem muito da potência e da nova fase do Projeto Concha, encabeçado pela produtora Alice Castiel, que passou a ter financiamento do edital Natura Musical, mas dizem muito do desejo do público gaúcho e porto-alegrense de ter Anelis no sul.

Com vocais sensuais, pitadas de dub, afrobeat e grooves brasileiros, a artista tem uma obra original e provocadora. Filha do falecido cantor e compositor Itamar Assumpção, Anelis lançou “Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa”, em 2011, depois “Amigos Imaginários”, em 2014, ambos premiados, e este “Taurina”, em 2018, também portador de indicações e prêmios importantes da música, com parcerias boas como Russo Passapusso, Ava Rocha e João Donato.

Conversamos com Anelis, de fala farta e olhares atentos ao mundo a nosso redor, por áudios de whatsapp - assim como os áudios que permeiam as canções de "Taurina". Entre os temas, feminismo, racismo, maternidade e Porto Alegre. Confira a entrevista:  

 

CLANDESTINA - Anelis, tu vens a Porto Alegre dentro de um projeto que amplifica a produção musical feita por mulheres. Teu disco mais recente, ‘Taurina’, questiona o símbolo que representa o signo de Touro. Cansa ser rotulada como feminista ou tu entendes que é algo inerente ao momento pelo qual passamos?

ANELIS – Não, não me cansa ser rotulada como feminista. Me cansa ser rotulada. A minha ação ou as consequências dos meus atos simbolizarem o meu feminismo é importante e não cansativo. O que cansa é o rótulo. Como se o feminismo fosse um tipo de esporte, uma dieta, ou algo que você fica um tempo, um esoterismo... e depois você sai. E não é isso, o feminismo é algo muito maior. É educação, eu entendo assim. Entendo que meu feminismo vai se moldando conforme eu também vou. Eu entendo que ele é orgânico, é fluido. Então no momento que a gente está vivendo isso tem emergido em algumas bolhas, obviamente, cada vez mais, mas ainda é um movimento bastante restrito a alguns nichos. Então é natural também que haja esse tipo de identificação. Mas é também muito perigoso, porque parece que o feminismo está atrelado a um pensamento contrário ao que beneficia a todos, né? Então é muito triste quando uma mulher ou homem que são inclinados pra política e pra cultura de direita, mais conservadora, entendem que se tiverem atitudes feministas seria uma atitude de esquerda, e então se negam ao pensamento do feminismo. É obvio que o feminismo está muito mais pra esquerda do que pra direita, mas ele é muito maior do que isso. A política do feminismo é muito maior do que os polos de direita e esquerda da política que a gente entende hoje, reconhece hoje, no Brasil e no mundo, inclusive. Enfim, o que me cansa é o rótulo, de toda forma, qualquer um que seja; isso é bastante prejudicial pra qualquer artista, pra qualquer profissional, né?

 

A tua voz, tua música e teus posicionamentos, tanto nas redes sociais quanto em frente ao público, são importantíssimos para o momento político absurdo que vivemos no Brasil. É compreensível um artista não fazer política hoje?

Eu não acho que um artista tenha a menor obrigação de fazer política com a sua arte. A arte ela tem um papel... o questionamento que a arte provoca nas pessoas já é um ato político. Acho que fica muito complicado a gente exigir, né? Obviamente incomoda. A gente se sente muito incomodado, principalmente quando são pessoas que atingem uma massa muito grande de gente, que tem um poder de voz e de alcance muito grande. O que eu entendo é que não é obrigatório. Algumas pessoas se sentem desconfortáveis em se posicionar, outras pessoas têm outras questões, e não se posicionam porque têm contratos, porque têm obrigações com contratantes, gravadoras, marcas patrocinadoras... então nem sempre o não-posicionamento tem a ver com o artista não ter o que dizer. O não-posicionamento de um artista muitas vezes é um ato político. Ele quer dizer muitas coisas quando ele silencia diante de alguma atrocidade, enfim, de alguma coisa que atinge a todos. Então eu observo assim: quando eu vejo que há um silencio artístico, um silencio da parte de um artista porque ele está tão preso no seu sistema capitalista que ele não consegue sair daquilo, que ele não tem liberdade suficiente pra se posicionar, já é um grande posicionamento. Pena que muitas vezes o grande público não percebe. Mas às vezes isso é somente uma questão de jeito, de timidez, de não saber o que falar. Um artista faz muita coisa pela sociedade, fazer arte é provocar o pensamento e isso já é muita coisa. Arte não é só entretenimento. Mas infelizmente o mundo das artes, não só da música, mas do teatro, do cinema, das artes plásticas, principalmente, que é um universo milionário, né, onde existe muito mais silenciamento do que a gente imagina ou do que a gente pode perceber – no mundo das artes plásticas a política é como se fosse algo que quase não estivesse acontecendo, muitas vezes, né? Nem todos artistas, claro, há muitos performers e artistas hoje que trabalham performances com bastante política, bastante ativismo. Mas não acho mesmo que de jeito algum seja uma obrigação de ninguém. A gente tem hoje um alcance um pouco maior porque está na internet, mas nos meus shows, por exemplo, eu não gosto de falar sobre as coisas que eu gosto de escrever. Então são duas coisas, duas formas de comunicação bem distintas, falar de política no meu show atrapalha o meu show, atrapalha minha concentração, não soma pra minha performance. Então eu me complemento me comunicando de outras formas, pra poder me expressar. Mas eu acho que o que eu escrevo, as minhas letras, o meu assunto, ele tá sempre num lugar... a minha ideia, o meu desejo, o meu tesão de fazer música é esse: é fazer arte que provoca alguma coisa. Algum estranhamento que seja.

 

Quanto ao racismo velado - ou nem sempre velado - no país, no teu entendimento, quais são as frentes que precisamos abrir pra conseguir que as próximas gerações não tenham que conviver com a brutalidade da polícia, com a disparidade de oportunidades, com os resquícios da supremacia branca?

Infelizmente eu não acho que seja a próxima geração. Eu vejo pelos meus filhos: a minha filha tem 17 anos e meu filho tem 7. A minha filha é negra e meu filho é branco-mestiço. Acho que a gente tem que buscar nos micro-espaços, nas micropolíticas. Escola, bairro, família. A gente precisa esclarecer pras pessoas que tão bem pertinho da gente que pra não ser racista não basta gostar de pessoas pretas, ou de música de preto, ou ter paixão por um jogador de futebol que é negro; isso não faz a pessoa não-racista. Então a gente precisa explicar. As primeiras coisas são essas, explicar, fazer as pessoas entenderem onde mora o preconceito, as curvas onde eles ficam, dentro de todos nós, de todo mundo. É a primeira coisa, né? A gente batalhar por uma política de inclusão em todos os espaços, né, a gente questionar os espaços públicos onde se tem uma maioria branca ou maioria negra, isso fica tão evidente muitas vezes, e aí a gente precisa não ficar calado diante disso. Tem que questionar, tem que ensinar as crianças a questionar, ensinar as crianças a entender, ensinar as crianças a serem anti-racistas. Eu tenho que ensinar o meu filho a entender que ele, por ser menino branco, já tem facilitadores na sociedade do que a irmã. Eu preciso fazer ele entender isso de um jeito que seja ao alcance da compreensão de uma criança. Não é com o discurso da escravidão, porque isso tá muuuito longe de uma criança; embora eles compreendam, é muito distante. São outras buscas de conversa, outros raciocínios que complementam a crueldade maior que é o que faz com que a gente viva a situação que a gente vive no Brasil hoje. Mas eu não consigo falar de 400 anos de escravidão com uma criança de 7 anos porque ela não tem noção desse numeral. Eu preciso falar sobre tortura, preciso falar sobre oportunidade, preciso que ela perceba que quando ela entra na classe dela a maioria das pessoas é de que jeito? E aí eu vou costurando uma teia sobre isso, sobre os espaços onde essas pessoas estão, como elas vivem, como elas se defendem na sociedade. Isso é pra mim um grande desafio, né, que começa dentro da minha casa. Com parentes, cunhada, sogra, sogro, amigos. Muitos amigos brancos, que não entenderam ainda que serem meus amigos não faz deles pessoas não-racistas. Algumas pessoas são pouco racistas, mas a gente precisa não desistir, né. É cansativo, mas tem muita gente maravilhosa escrevendo, pensando. Pensadores incríveis, pensadoras maravilhosas. O movimento está cada vez mais rico em estatística, dados, então não é mimimi, são comprovações científicas da situação que a gente vive hoje no Brasil. Então acho que o caminho é por aí.

 

Sobre a maternidade e toda sorte de cobranças e julgamentos que ela nos traz, temos uma curiosidade: como tu faz, na prática, pra tocar a carreira na música, que envolve ensaios, shows, uma vida noturna em certa medida, e a rotina de mãe? Para muitas mulheres, existe um oceano de distância entre pais artistas e mães artistas, diferentes possibilidades e limitações. Como tu enxergas essa questão?

Bem, primeiro que eu não sei como é de outro jeito. Eu fui mãe muito jovem, tinha 23 anos, e eu perdi meu pai um ano depois da minha filha ter nascido e eu já vivia sozinha, independente. Eu simplesmente continuei o que eu tava fazendo, continuei o que eu me propus a fazer, que era ter um vida independente, trabalhar, que era me construir e construir minha identidade, compreender meu lugar dentro da música, das artes. Eu continuei tudo que eu tinha me proposto quando eu saí da casa dos meus pais. Então, eu acho que essa é uma pergunta muito recorrente, mas a gente precisa mudar esse ponto de vista porque se não a gente fica sempre sublinhando o fato de como é que a mãe faz. Eu acho que pra deixar mais evidente o como as mães são potencialmente e infinitamente mais desenvolvidas que os pais, essas perguntas precisam começar a ser feitas para os pais. Se você vai entrevistar um cara o e você sabe que ele teve um filho e faz essa pergunta pra ele (como ele faz pra trabalhar tendo o menino e tal), você vai ter um número muito grande de homens dizendo, putz, ‘eu só saio e trabalho, meu filho fica com a mãe dele, eu não participo da rotina, eu não sei o que acontece’. Esse eu acho que é o jeito mais interessante de a gente falar sobre isso porque a minha realidade é muito diferente de uma outra mãe que tem babá, por exemplo, que mora com a sogra, mas invariavelmente a corda vai puxar mais, pesar mais pro lado da mãe, em qualquer que seja a situação, se ela trabalha muito fora de casa, não vê a criança e a criança é criada por outra pessoa, como isso pesa mais sobre a mãe do que sobre o pai. Então, eu faço, sei lá, pego e levo, divido com o Curumin, e quando ele não pode por estar trabalhando também, eu tenho amigos, minha família, cada um vai ajudando um pouco como pode, a gente não tem babá nem nunca teve. Eu nunca tive babá nem pra Rubi. Levo pra show, levo pra ensaio, dorme mais tarde, enfim, dorme na casa de alguém, às vezes come lanche, e tem dado certo como tem que ser, como é o nosso destino. Eu não tenho controle sobre isso, mas existe de fato um oceano, uma grande distância entre pais e mães e não acho que isso seja só no mundo das artes, não, eu acho que isso tá em todas as famílias, em todos os lares, em todas as famílias onde têm homens e mulheres que trabalham, é de fato um oceano de distância entre os pais e as mães. Então eu enxergo que a gente precisa começar a constranger os pais publicamente no sentido de deixar mais claro pro mundo - embora todo o mundo saiba, né? -, com mais argumento e menos rancor (porque muitas vezes tem muito rancor na fala das mães e a gente precisa tirar o rancor de cima da mulher, e eu acho que a gente só vai conseguir fazer isso constrangendo os pais). Quando um cara conseguir dizer em voz alta, respondendo uma pergunta, que ‘eu não conheço meu filho suficiente’, esse cara também começa a se dar conta. Então eu acho que é meio por aí, né? E quem tá com um parceiro, tem um companheiro e tem a sorte de ter um cara que é afim de entender isso, é um passo, um movimento, mas a gente também não precisa botar uma faixa no meio da rua agradecendo ao Santo Expedito porque algumas coisas já são bem básicas hoje, ainda que culturalmente não funcione desse jeito. As coisas, como acontecem na minha casa, são completamente diferentes de como acontecem na casa da minha prima ou do meu cunhado, meu primo. Então, entende, são famílias que pensam de maneira diferente a criação, que acham que a mãe tem que estar mais presente, que o pai é o que toma uma no final do dia depois que trabalhou e a mãe corrige a lição, e a presença do pais se dá de uma outra forma. Isso também é muito cultural e, então, a gente tem que mexer na cultura e isso é uma coisa muito complicada, que leva muito tempo, mas o lance é não ter medo, a gente não ter medo das nossas verdades, a gente conseguir fazer todo esse movimento, assim como eu disse na minha outra resposta, começando pela nossa família. Demonstrar o tamanho desse oceano, mostrar diariamente como é distinto o papel de cada um e que não precisa ser dessa forma.

 

‘Chá de Jasmim’ foi escrita pela tua irmã, Serena, passou por ti e se transformou em uma música, sob certo aspecto, leve e bem-humorada. Como é subverter as memórias de pessoas tão importantes que já se foram, como Serena e Itamar, e fazer da saudade matéria-prima para a arte?

Isso não é muito racional também, não é uma coisa objetiva, um foco. ‘Agora eu vou transformar a minha saudade em arte’, às vezes eu gostaria, mas eu me frustro, porque eu não consigo. Às vezes eu consigo sem querer e nem percebo. A morte, ela é muito densa, porque ela demora pra gente perceber, pra sentir. No meu caso, as duas pessoas que eu perdi foi pra uma mesma coisa. De uma forma muito parecida, onde houve uma piora física, um definhamento de corpo. Então você vai indo pra um lugar onde você já sabe onde vai dar e quando ela chega é um misto de dor e um alívio porque o tamanho do sofrimento que essas pessoas tiveram eu não consigo imaginar. E nem sei se eu teria coragem de atravessar a vida dessa forma, como eles conseguiram. E tiveram a coragem que tiveram. Então ela nesse primeiro momento traz isso; um ‘agora vai ficar tudo bem’. E é muito lento o processo de compreensão de que você nunca mais vai ver aquela pessoa, nunca mais ouvir o tom de voz, nunca mais vai encostar naquele corpo, nunca mais vou sentir aquele cheiro. Então a memória começa a ser construída num período que é bem profundo da dor. Meu disco, por exemplo, eu demorei, depois de um ano, praticamente, um ano e meio, que eu entendi algumas letras que eu tinha escrito. Na hora que eu escrevi eu não sabia do que eu tava falando. Quer dizer, eu achava que era sobre uma coisa, mas era tão bobo aquilo que eu achava... eu não entendia muito bem. E é como se eu tivesse num elástico mesmo, a minha intuição pra trás e pra frente no tempo me fizesse acessar alguns sentimentos muito mais densos do que o momento em que eu escrevi. Essa densidade eu vim sentir depois, muito depois de ter escrito a maioria das músicas desse disco. A minha irmã era viva quando eu escrevi a maioria das músicas. Então essa transformação da saudade, do afeto, da falta, da memória, em alguma coisa que vira arte é muito sutil e pouco palpável. Ela acontece, sim, mas ela acontece em tudo. Quando eu tenho muita saudade, eu cozinho alguma coisa que eles gostavam de comer, por exemplo. Isso não tem nada a ver com a minha arte. Mas a gente transforma a saudade, porque há uma necessidade muito grande de fazer alguma conexão com aquilo. Então às vezes isso não é tão consciente, isso que eu quero dizer.

 

Os diálogos que permeiam o álbum fazem com que a gente se sinta próxima de ti. Foi proposital ou nasceu ao longo do processo de criação do disco? Quais foram as relações fundamentais para o nascimento de ‘Taurina’?

É bem o que eu falei na resposta anterior. Não foi proposital, acho que uma das características do bicho, da taurina enquanto bicho, é o bando. Gado é sempre muita vaca, muito boi. Mesmo quando tão soltos, pastando, eles ficam perto uns dos outros, né? Acho que isso é uma característica natural da minha conjunção solar. Gosto de ter gente, de estar perto, gosto de conversar, de me comunicar. Gosto de ter muita gente, muito perto. Fazer música é um jeito de fazer isso acontecer, um jeito de garantir isso, ou buscar isso. Agora, eu fico feliz de saber que essa brincadeira, esses diálogos, esses textos que aparecem fora de canções, e que expõem um pouco o que poderia ser privado, dão essa sensação. Mas na verdade essa brincadeira entre o privado e o público é justamente um questionamento sobre o que é privado e o que é público. Porque quando eu desloco um áudio de whatsapp que eu recebo de uma pessoa íntima minha, e torno isso público, vira um poema pra mim. Vira uma comunicação complementar de alguma outra coisa que tava sendo dita ou tocada ali, e imediatamente deixa de ser privado. Então não é sobre a minha intimidade nada daquilo. É sobre pensamentos. E poesia.

 

É a primeira vez que tu vens a Porto Alegre? Conheces o Rio Grande do Sul? Se sim, tens alguma lembrança daqui?

É a primeira vez que eu vou fazer um show meu em Porto Alegre. Já estive na cidade acompanhando meu pai, algumas vezes, quando eu cantava com ele. Mas pra cantar show meu, disco meu, nunca fui. Então tô indo pela primeira vez apresentar meu terceiro disco em Porto Alegre. Tenho lembranças lindas. As lembranças que eu tenho de quando acompanhava meu pai são sempre muito divertidas, então eu tenho lembranças muito agradáveis da gente comendo, de pessoas que nós conhecemos. De um ar e uma sensação térmica fria, mas um entorno de muita beleza assim. Tenho essa lembrança de uma cidade bonita, gostosa de ficar olhando.

O que tu escutas hoje em dia? Pode citar algumas bandas e artistas que acompanham teu momento?

Eu não ouço muito música. Geralmente eu recorro a algumas coisas que eu sempre consumi, sempre gostei. Ouço muito reggae, é a música que eu mais escuto na vida. Reggae, rap e música brasileira em geral. Ontem eu estava ouvindo Clube da Esquina e Kendrick Lamar. Fico variando assim... mas gosto muito de uma banda que chama The Internet, gosto muito do Kendrick, que é um cara que fez uma mudança muito interessante no conceito do rap, da linguagem musical do rap. É um excelente letrista, excelente rimador. Gosto muito da Lenna Bahule, uma menina cantora de Moçambique que eu conheci aqui em São Paulo. Compositora que eu adoro, tem uma voz lindíssima, lindíssima. E é uma figura incrível, importante.

Gosto muito de pesquisar cantoras africanas, mas eu moro com uma adolescente e uma criança de 7 anos, então, eles dominam mais os comandos do que a gente vai escutar. Aprendo muito com meus filhos, o que eles ouvem, o que eles gostam. Mas quando eu tô trabalhando muito a música me dispersa, então eu não tô num momento de ouvir muitas coisas. Tem as questões do aniversário do meu pai, que faria 70 anos, e tem uma série de ações que eu tô levantando pra que aconteçam aqui em São Paulo, e quem sabe até fora de São Paulo, e isso tem me consumido bastante. E eu tenho ouvido demais ele, pro próprio trabalho que eu tô desenvolvendo. Então às vezes eu prefiro mesmo o silêncio.

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