11 de abril de 2019

Três perguntas para Camila Lopez, do Tributo Elis Regina

Cantora comemora dois anos do projeto em homenagem à eterna Pimentinha

Música

Entrevista por Amanda Zulke
Foto: Mandy Medeiros

Natural de Porto Alegre, Camila Lopez tem circulado pelos palcos com seu espetáculo em homenagem a uma das mais saudosas artistas da música brasileira. Junto dos músicos Matheus Herrmann (guitarra), Mateus Albornoz (contrabaixo), Alexandre Alles (teclado), Rafael Branco Müller (bateria) e Rafael Pavão (percussões), Camila completa dois intensos e bem-sucedidos anos de Tributo Elis Regina. Para marcar a data, nesta quinta-feira (11) a banda retorna ao local de sua estreia, o clássico bar Ocidente, para uma noite de celebração, com participações especiais de Cecé Pereira e Rafa Caetano.

Confira a entrevista que fizemos com a cantora:

 

1) Camila, a Elis é, para Porto Alegre e para o país, uma cantora imensa e inesquecível. Como é a tua relação com a obra dela e como foi feito o trabalho de pesquisa para a criação do espetáculo Tributo Elis Regina? 

Pra mim é a maior de todos os tempos ainda. Minha relação com a obra dela é como se fosse um manual de como as coisas devem ser feitas em termos de música e cantar. Principalmente no quesito entrega e escolha de repertório. Apesar de não ser a compositora das músicas, ela escolhia e cantava aquilo que queria comunicar. Esse é o papel do artista pra mim, comunicar. 

O espetáculo é tão somente focado na execução das músicas. Costumo dizer que é uma experiência sonora. Escolhi o repertório baseado naquilo que eu queria também comunicar... e foi bem difícil. É cada coisa magnífica que essa mulher fez. Mas eu, Camila, quis falar bastante de Brasil. Então minha pesquisa foi mais pra esse lado. 

 

2) Tu fostes elogiada por Roberto Menescal, um dos pilares da bossa nova; junto d’O Arrastão, tocou com casa cheia no Rio de Janeiro e completam agora dois anos de projeto. Como tem sido viajar por diferentes cidades do país com o espetáculo que homenageia uma mulher tão forte para a música brasileira?

Pois é, essa história do Menescal é uma das coisas mais importantes e incríveis que nos aconteceu. Foi mais ou menos do tipo: quando vê, estávamos lá, sendo aplaudidos e mimados por ele! Foi um choro pra tudo que era lado. 

Acho que desde que inventei essa história toda, queria mesmo era pegar a estrada. Tenho comigo uma vontade de fazer essa geração conhecer Elis... uma porque estamos precisando da lucidez que ela tinha nesse momento do país. Outra porque também acho que a música brasileira não pode esquecer jamais daquela que iniciou o que chamamos hoje de MPB. Viajar com o show tem sido surpreendente e maravilhoso. Sempre com casas lotadas, abrindo portas e com promessas de que vamos voltar. E o melhor de tudo, sendo assistido por jovens, pessoas que nem viram Elis por aqui (como eu). A projeção é de cada vez estarmos mais fora do Estado fazendo shows e levando Elis pra tudo que é canto.

 

3) O que uma mulher artista como Elis Regina pode ensinar para ti e para as mulheres dessa geração?

Hoje, sobretudo, pra mim... levo muito dela a questão de levar as coisas com seriedade. Se comprometer no que vai fazer e com as pessoas. Não tem essa história de fazer as coisas mais ou menos e pensar só no seu umbigo. Principalmente se você se autodenomina um artista. Até porque se deixar, vem sempre um pra te dizer o que você deve fazer. Então assim... assume a responsabilidade, mata no peito e faz. Mas sem mediocridade. Com inteligência e amor nas coisas. 

A gente tá num momento tão maluco que, pra mim, definitivamente, acabou a brincadeira, sabe? Pau é pau, pedra é pedra. E assumir as coisas não é diminuí-las. É botar pingos nos i's apenas. A Elis foi e é um exemplo de mulher brasileira, trabalhadora, que tinha jornada dupla, filhos, marido, e que mesmo 37 anos depois da sua partida, consegue estar cantando cada vez melhor. Então assim... é chamar a responsabilidade pra si e fazer algo de útil pela vida. A gente pode estar aqui passeando também, mas não viemos só pra isso. A gente emburreceu e o mundo está para os espertos. Ou a gente se mexe... ou estamos perdidos. 

 

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Saiba mais:

TRIBUTO ELIS REGINA – Camila Lopez e O Arrastão



O espetáculo em homenagem à Elis Regina viaja numa grande linha do tempo, desde a escolha do repertório, que inclui clássicos como “Como Nossos Pais”, “Arrastão” e “Upa, Neguinho!”, passando por cada fase da cantora, desde sua primeira apresentação na televisão até suas últimas gravações. Além dos grandes sucessos, o repertório conta ainda com as músicas que trazem à tona o sentimento pelo Brasil, em virtude do momento turbulento pelo qual o país vem passando.

Camila Lopez e O Arrastão é formada pela cantora Camila Lopez e pelos músicos Matheus Herrmann (guitarra), Mateus Albornoz (contrabaixo), Alexandre Alles (teclado), Rafael Branco Müller (bateria) e Rafael Pavão (percussões).

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